Encontro discute o exercício profissional do jornalismo no Brasil e Itália

San Paolo, 19 settembre 2006 - O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a Associação dos Correspondente Estrangeiros (ACE) e a Associação dos Jornalistas Italianos no Brasil promoveram, no dia 15 de setembro, o II Workshop da Imprensa Brasileira, Italiana e Ítalo-Brasileira, para uma troca de experiências no exercício profissional no Brasil e Itália.

O encontro, que durou todo o dia, ocorreu no auditório da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (FIESP) e serviu para conhecer a forma de organização da profissão na Itália e para subsidiar o debate, ante a sociedade civil brasileira sobre o modelo de jornalismo e a organização profissional que queremos.

Participaram do workshop o presidente da Ordem dos Jornalistas da Itália, Lorenzo Del Boca, o seus diretores Ennio Bartolotto e Alberto Fumi; o coordenador dos jornalistas italianos no mundo, Franco Po; a presidente da Associação dos Correspondentes Estrangeiros no Brasil, Veronica Goyzueta; o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo e o presidente do Sindicato dos Jornalistas em São Paulo, Guto Camargo, entre outros.

Del Boca, presidente da Ordem dos Jornalistas na Itália, contou que, assim como acontece atualmente no Brasil, onde a polêmica cerca a idéia da criação do conselho federal, ocorreu na Itália quando da criação da ordem. "As empresas e alguns jornalistas rejeitaram a proposta inicialmente", afirmou.

Franco Po, coordenador dos jornalistas italianos no mundo, afirmou que depois de mais de quarenta anos, hoje, são os próprios jornalistas que defendem a entidade contra os que querem extingui-la. "Os jornalistas, depois de serem aceitos no exame da ordem, passam a ser melhor remunerados e mais respeitados pelos colegas e empresas", resumiu.

O exame ao qual Po se refere é complexo, formado por três provas, que abordam cultura geral, interpretação de texto e conhecimentos práticos do jornalismo. Os examinadores serão seus próprios colegas, destacados pela Ordem para este fim.

Del Boca explica que a ordem tem atribuições maiores que simplesmente defender o jornalista, ela defende a sociedade do jornalismo inescrupuloso.: "a ordem se ocupa dos deveres do jornalista, os sindicatos, dos direitos do jornalistas - essas coisas não se misturam. Ordem e sindicato devem atuar juntos."

Sérgio Murillo comentou que o Brasil passa por dificuldades para democratizar os meios de comunicação, principalmente o rádio e a TV, onde o poder político se mistura com o econômico. Além disso, o presidente da FENAJ, avaliou o momento pelo qual o jornalista está submetido: "Estamos passando por um violento processo de precarização das relações de trabalho - principalmente nas grandes redações. Estive na França recentemente e os jornalistas com os quais conversei ficaram impressionados em saber que discutíamos a inclusão do colete à prova de balas para os jornalistas que trabalham em condições de risco como uma das cláusulas de convenções coletivas. E isso não para cobrir guerras".

Ao final do evento, os jornalistas italianos e os representantes da imprensa italiana no Brasil se comprometeram a levar à suas entidades a proposta de assinar uma moção de apoio à criação de um conselho de jornalistas no Brasil.

Guto Camargo comentou após o encontro que a experiência dos jornalistas de outros países - especialmente os italianos - é muito importante nesse momento em que se discute o exercício profissional do jornalismo no Brasil.

 
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