Conferência da ANPEI começa com expectativa
de maiores investimentos em inovação
 

O evento continua nesta terça-feira, às 9h00, com os palestrantes internacionais
Kip Garland e Gunter Pauli e apresentações de cases empresariais

 

O secretário executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, acredita que será possível cumprir a meta de aplicação de R$ 41 bilhões em investimentos em inovação no período 2007-2010 porque há uma mobilização por parte da rede ligada ao setor e das instituições de fomento. Ele acrescentou que neste ano os investimentos em inovação e tecnologia deverão ficar próximos do equivalente a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e salientou que as empresas que estiverem melhor aparelhadas e com maior grau de conscientização da importância da inovação, "certamente saberão aproveitar melhor as oportunidades". A afirmação foi feita nesta segunda-feira, dia 08, na cerimônia de abertura da IX Conferência ANPEI de Inovação Tecnológica, que será realizada até esta quarta-feira, 10, na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre (RS).

Ao cumprimentar a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) pelos seus 25 anos de atividades, Elias lembrou a atuação do ex-presidente Mario Barra no encaminhamento de propostas de incentivo à inovação e disse que "a ANPEI é parceira na elaboração de políticas públicas de inovação tecnológica". A presidente da ANPEI, Maria Angela do Rêgo Barros, salientou que inovação é um processo simples, mas que exige determinação. Segundo ela, a inovação sustentável é o caminho a seguir, o que exige uma nova consciência empresarial já que a nova ordem econômica é dirigida ao ser humano. Durante a Conferência serão apresentados 48 cases de práticas inovadoras e sustentáveis, "valiosos ensinamentos de como inovar e colaborar com a sustentabilidade do planeta".

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Paulo Tigre, destacou que a entidade, parceira do evento, também tem compromisso com a inovação e a educação, "pontos principais para a agenda estratégica do planeta". Na cerimônia de abertura houve apresentação do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC) com sede em Porto Alegre e voltado à fabricação de partes de semicondutores, com foco na produção com volume e alto valor agregado. A presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Lúcia Melo, por sua vez, divulgou a publicação Novos instrumentos de apoio à inovação - uma avaliação inicial, que faz uma análise dos diferentes tipos de instrumentos de fomento à disposição das empresas.

Também participaram da abertura o secretário de Ciência e Tecnologia do RS, Artur Lorentz; o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Braga Acuri; o gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Carlos Tadeu, e o diretor técnico do Sebrae nacional, Luiz Carlos Barbosa.

Somente um terço das empresas investem em inovação

Apenas um terço das companhias brasileiras investem em inovação e, no caso das empresas de pequeno porte, o grau de inovação é ainda mais baixo o que, em parte, explica as causas da "mortalidade" das empresas que não chegam a atingir cinco anos de atividade. A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi apresentada nesta segunda-feira, dia 08, durante o workshop Como a pequena empresa pode lucrar com a inovação, promovido pelo Sebrae em parceria com a ANPEI.

Consultor do Sebrae, José Miguel Chadadd, salientou que "inovar é introduzir algo novo em qualquer atividade humana". Coordenador do workshop, ele esclareceu que nem toda invenção transforma-se em inovação. " O importante para a microempresa não é inventar, e sim, inovar", observou. Chaddad exemplificou que a inovação radical é aquela que introduz uma nova referência no mercado e desbanca o produto anterior, como no caso dos CDs em relação aos discos de vinil. Mas quando a inovação é estrutural, apenas agrega vantagens e melhorias, sem tirar o antigo produto ou serviço de circulação.

Chadadd salientou que "empreendedorismo e inovação caminham juntos" e que inovar, acima de tudo, é uma atitude comportamental. "É o empresário que tem de ter essa iniciativa", acrescentou. Segundo ele, "quanto maior a ousadia da inovação, maior o risco, mas também maior será o lucro".

Os desafios do crescimento

O professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, Jacques Marcovitch falou do enorme desafio do crescimento sustentável. Ele lembrou que 2,6 bilhões de habitantes do mundo não têm acesso a saneamento básico e 1,3 bilhão não têm água potável. A situação poderá ser ainda pior considerando que em 2050 a população chegará a 9 bilhões de pessoas, dois terços das quais vivendo em área urbana, o que exigirá, no mínimo, duplicar a produção de alimentos e de sistemas viários, além da redução drástica (de 50 a 85%) das emissões de Gás de Efeito Estufa.

A solução, a seu ver, passa pela inovação, especialmente por parte dos países emergentes. Entre os fundamentos citados por Marcovitch para enfrentar o novo ciclo de desenvolvimento estão o fortalecimento da democracia, uma sólida situação financeira e a criação de oportunidades educacionais de qualidade, além de questões pontuais como a diversificação de fontes de energia, tecnologias limpas, uso racional de recursos naturais, a conservação da biodiversidade com ênfase nas florestas tropicais e a equidade socioeconômica.

Setor produtivo usa de maneira limitada os instrumentos para inovação

O Governo Federal avançou significativamente em seu papel de gerar recursos para a inovação, pesquisa e desenvolvimento, especialmente, com a Lei da Inovação e a Lei do Bem. Porém, o setor produtivo usa de maneira limitada esses mecanismos. Essa é a conclusão do presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski.

"Quem efetivamente usa os instrumentos governamentais são as grandes indústrias e as micro e pequenas empresas que nasceram a partir de tecnologia avançada", afirmou Wongtschowski. "Os motivos que ocasionam esse uso limitado são: desconhecimento, complexidade das leis e pelo grau de desarticulação entre diversos setores do governo", finalizou.

 

Serviço:

IX Conferência ANPEI de Inovação Tecnológica

Associação Nacional de Pesquisa & Desenvolvimento das Empresas Inovadoras

(www.anpei.org.br)

Porto Alegre, RS, de 8 a 10 de Junho de 2009

Local: Sede da FIERGS - Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

Centro de Convenções

Av. Assis Brasil, nº 8787

 

Texto: Gladis Berlato / Enio Campoi


 
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