| Mais exigências por lubrificantes e aditivos de qualidade Montadoras aumentam níveis de exigência, enquanto empresas fornecedoras buscam diversidade para atender melhor a esta demanda
O Milenium Centro de Convenções recebeu, ontem, cerca de 250 pessoas para o II Simpósio de Lubrificantes e Aditivos, organizado pela AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, em parceria com o IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. Com grande diversidade de especialistas na platéia, as duas entidades trouxeram palestrantes dos Estados Unidos e da Ásia para dividir as experiências e apresentar os acertos feitos em seus países. O simpósio, que contou com a abertura do presidente da AEA, José Edison Parro, Ernani Filgueiras, gerente de Abastecimento e Petroquímica da IBP - Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis -, Simone Hashizume e Pedro Nelson Belmiro, coordenadores do Comitê Técnico do evento, e do diretor do Ministério de Minas e Energia, Claudio Ishihara, teve como objetivo apresentar as diversidades de lubrificantes e aditivos disponíveis no mercado e a importância da escolha do produto adequado para cada tipo de veículo. O evento teve apresentações de profissionais da Petrobrás, Petronas, ExxonMobil, Agência Nacional do Petróleo, ABRAFA, Mercedes-Benz, General Motors, FPT Powertrain Technologies e IBP. Heraldo Porto, consultor na área de petróleo, abriu o simpósio com uma explanação sobre a “Evolução dos Preços Internacionais do Petróleo”. Numa linha do tempo, expôs os momentos econômicos que afetaram os preços do produto e os motivos que causam as altas e as baixas nos preços. “A crise do petróleo teve início em 1973, teve seu ápice em 1980 e continuou até 1993. Nos primeiros 120 anos de comercialização do produto, a política das empresas foi norteada pelas margens de refino, o que possibilitou preços de mercado”, explica Porto. Segundo o consultor, é o refino que gera o combustível por isso a lucratividade do produto estar sempre na chamada margem de refino. Questionado sobre previsões de preços, Porto apresentou os fatores responsáveis pela volatilidade dos valores. “Hoje eu posso dizer que fatores geopolíticos como o Irã e as sanções do Ocidente, a política do Chavez e os últimos acontecimentos na Nigéria, acrescido do próprio mercado do petróleo e agravado pela Economia Mundial, é o que implica na volatilidade do preço. Já amanhã não é possível prever”. Na sequência teve início o Painel de Lubrificantes Básicos e o primeiro especialista a apresentar foi Bernardo Noronha, gerente de Comércio Interno de Lubrificantes e Parafinas da Petrobrás. Segundo Noronha, o mercado de lubrificantes mundial está caminhando para os óleos de rerrefino, que são os refinados a partir de lubrificantes já utilizados. Seguindo nesse trajeto, acredita poder prevê um aumento de oferta do produto para 2010, redução do perfil de viscosidade e fazer com que os preços do petróleo do Grupo II se façam competitivos com os do Grupo I. Duas outras opções de lubrificantes foram apresentadas pelos representantes da Petronas Base Oil Melaka, Ammar Tahir, gerente de Marketing para o Oriente Médio e Mohamed Radzif Bin Abdull, especialista em Tecnologia de Óleo Base Grupo III e pela profissional da ExxonMobil, Sandra Mazzo Skalski. Os representantes da Petronas apresentaram o ETRO, e o defendem por sua sustentabilidade em relação às emissões de gases ao meio ambiente, oferecendo maior durabilidade e economia de combustível. Segundo Mohamed, a qualidade do ETRO está no processo de produção. Já a ExxonMobil levou ao público o seu produto de Base Sintética, que consegue diminuir o gasto em energia em cerca de 8%. “O produto pode ter o preço superior aos demais no mercado, mas como 96% de seu custo está relacionado à energia, ao diminuir esse percentual e por oferecer menor manutenção, é possível fazer uma economia bem além da dos demais produtos disponíveis”, explica Sandra. A ANP também teve um momento dedicado aos seus 10 anos de atividades da agência reguladora e aproveitou o simpósio para expor o trabalho feito em relação aos lubrificantes. “A ANP atua no monitoramento da qualidade de lubrificantes e diagnostica sistematicamente a qualidade do lubrificante. Analisa se ele atende às exigências de registro e se está de acordo com o que consta no rótulo do produto. Com isso, gera maior transparência ao processo e facilita a pesquisa ao banco de dados”, expõe Rosangela Moreira Araujo, superintendente de Bicombustíveis e de Qualidade da ANP. Na segunda parte do simpósio, o público presente pôde assistir a uma bem-humorada palestra do americano, radicado no Brasil por alguns anos, Douglas McGregor, representante da ABRAFA. Em seu painel, McGregor transcorreu sobre os fatores geradores de economia num veículo. O objetivo era mostrar o quanto o óleo de boa qualidade contribui nesse processo. “Primeiramente, o veículo precisa estar aerodinâmico. Além disso, o lubrificante deve estar com o nível de viscosidade de acordo com modificadores de atrito exercendo suas funções corretamente e com o coeficiente P-V”, explica McGregor. Para o painel de Níveis Mínimos de Desempenho dos Óleos Lubrificantes Automotivos, foram convidados representantes da Mercedes-Benz, General Motors e FPT Powertrain Technologies, que puderam expor as experiências dessas empresas no setor. Charles Correa Conconi falou sobre as mudanças no Sistema de Aprovação para Lubrificantes e Fluidos Automotivos da Mercedes-Benz e explicou que para atender às exigências, a empresa interessada em fornecer óleos lubrificantes à montadora deve atender aos requisitos básicos ambientais e de qualidade. Para finalizar o evento, foi composta uma mesa redonda para discutir o Panorama Atual do Mercado de Lubrificantes. Composta por Eduardo Freitas do Sndicom, José Eduardo Godoy, do Simepetro, Maria Conceição França, da ANP e Cláudio Ishihara, do Ministério de Minas e Energia, moderada por Pedro Nelson Belmiro, do IBP, foi concluído que as montadoras desejam óleos melhores do que os próprios motores fabricados por elas e segundo projeções do Sindicom, o mercado automotivo está se levantando e acredita em melhoras realmente significativas para 2010.
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