Congresso define as 12 prioridades para a Inovação
Documento foi divulgado nesta quarta-feira (25) pela FIERGS

 

 


Doze prioridades para estimular a inovação nos setores privado e público foram divulgadas, nesta quarta-feira (25), durante o encerramento do 2º Congresso Internacional de Inovação, realizado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, por meio do Instituto Euvaldo Lodi. Durante três dias, especialistas nacionais e internacionais, representantes do poder público, de arranjos produtivos locais, agências de fomento, empresários e industriais refletiram sobre o assunto e elaboraram o documento, denominado 2010 – Rio Grande do Sul como Sociedade de Inovação. “O Sistema FIERGS se propõe a reforçar a sua liderança neste movimento, mobilizando a sociedade e gerando oportunidades para a inovação. As empresas têm um papel central na criação de riquezas e na promoção de um processo permanente de empreendedorismo, mas dependem de boa infraestrutura, centros de pesquisa e tecnologia e universidades, além, é claro, de uma educação fundamental de excelência”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Tigre.

A Carta destaca que a inovação é um mote fundamental da competitividade e por consequência da prosperidade das comunidades. “Ela se estabelece a partir de condições de um ambiente que a viabilize de forma a destacar no mundo globalizado aquela sociedade que dela retira sua riqueza e bem estar”, pontua o texto do documento. Também é recomendada uma atenção especial para as eleições de 2010, levando em consideração a importância da manutenção de políticas e planos estratégicos, independentemente da alternância de poder – tema debatido no primeiro dia do Congresso.

Entre as 12 prioridades estão a consolidação do novo papel da Sociedade da Inovação, que passa em grande medida pela efetiva responsabilidade dos diferentes atores envolvidos – Estado, universidade e empresas; intensificar a agenda para a inovação que vem sendo desenvolvida no âmbito empresarial, governamental e acadêmico, levantando novos focos de discussão com base em tendências e movimentos globais; educar para inovar; contribuir para disseminar os marcos legais existentes, inclusive e principalmente a regulamentação da Lei Estadual de Inovação e a geração de propostas para a sua implementação de modo a atender os interesses da indústria gaúcha; e estender e modernizar a regulamentação dos marcos legais como o Fundopem com redução dos fatores de custos estaduais.

De acordo com a Carta, o Sistema FIERGS incluiu em sua estratégia a inovação, conjuntamente com seus três pilares iniciais Desenvolvimento, Liderança e Representatividade. Em 2010, a entidade se propõe a reforçar seu protagonismo neste movimento, mobilizando a sociedade e gerando oportunidades para a inovação.

Em 2008, os conteúdos e debates promovidos na primeira edição do congresso contribuíram para a formulação e aprovação da Lei Estadual de Inovação. Neste ano, durante o evento, o governo estadual lançou um conjunto de decretos que regulamentam a Lei Estadual de Inovação, identificando os atores da inovação e propondo incentivos fiscais como a disposição de abrir mão de até 75% do ICMS incremental de empresas inovadoras. “Um mérito de nossas ações e um poderoso marco legal”, informa a carta.  

O 2º Congresso Internacional de Inovação contou com o apoio do Sesi-RS, Senai-RS, CNI, PUCRS, PGQP, Sebrae, MBC, Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, CNPq, ABDI, CEEE, Banco do Brasil e Marcopolo.

Segue a Carta do 2º Congresso Internacional de Inovação na íntegra.


1. Consolidar o novo papel da Sociedade da Inovação que passa em grande medida pela efetiva responsabilidade dos diferentes atores envolvidos: Estado, Universidade e Empresas, numa ação de Hélice Tripla, estimulando a criação de condições e recursos estratégicos para a inovação independente da diversidade democrática; o desafio, inclusive para os novos governantes, é manter o ambiente de inovação em permanente evolução participando como pá fundamental da Hélice no que diz respeito a manutenção de políticas de estado.

2. Intensificar a agenda para a inovação que vem sendo desenvolvida no âmbito empresarial, governamental e acadêmico no RS, levantando novos focos de discussão com base em tendências e movimentos globais que possam contribuir para o aumento da competitividade de empresas de pequeno, médio e grande porte e atuando fortemente na comunicação de programas e recursos existentes nas instituições de fomento. Nesta perspectiva, o Sistema FIERGS a partir dos trabalhos já realizados por seu Conselho de Inovação e Tecnologia (CITEC), lança neste Congresso o Núcleo de Inovação RS da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), uma ação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que coloca a inovação no plano estratégico das empresas e convoca o governo em todos seus níveis a estabelecer parcerias estratégicas que levem ao fortalecimento das ações em curso e deflagrem, com o setor privado, a Iniciativa Nacional pela Inovação (INI).

3.  Educar para inovar – Na “construção” de uma sociedade de inovação, o ensino fundamental é o alicerce e o empreendedorismo é o cimento na união dos tijolos que são os atores da Hélice Tripla. Cada vez mais o Rio Grande do Sul deve se voltar para ter uma educação fundamental de excelência gerando a base para um maior capital humano. Todos nós devemos nos comprometer com o tema e buscar as soluções para a mudança que é o maior desafio no momento para a sociedade gaúcha.

4. Contribuir para disseminar os marcos legais existentes, inclusive e principalmente a regulamentação da Lei Estadual de Inovação e a geração de propostas para a sua implementação de modo a atender os interesses da indústria gaúcha e viabilizar a gestão da inovação com sucesso, em nível microeconômico, na empresa, e de modo consolidado, nos coletivos empresariais, arranjos produtivos, pólos e parques tecnológicos, cadeias de suprimento, etc.

5. Estender e modernizar a regulamentação dos marcos legais como o Fundopem com redução dos fatores de custos estaduais, contemplando as áreas tributárias, de logística e de infra-estrutura social, democratizar o acesso ao crédito, especialmente às empresas de menor porte, programas setoriais focados, melhorias e adequações regionais à legislação ambiental. A reinvenção estratégica do RS deve se dar numa base de confiança e cumplicidade estratégica entre os atores empreendedores que geram soluções que suprem as demandas dos cidadãos.

6. Focar a razão de inovar na busca do equilíbrio entre os interesses econômicos e os interesses sociais da sociedade da inovação. Por exemplo, a gestão do empreendedorismo para gerar oportunidades de benefícios sociais e econômicos, escolher parceiros alinhados a esse comprometimento, e mobilizar os recursos através das redes formais e informais para, então, construir coalizões que suportem idéias de valor social e econômico.

7. Levantar junto às empresas as suas demandas por conhecimento e serviços tecnológicos e viabilizar soluções através de programas e projetos de capacitação gerencial e tecnológica.

8.  Reforçar o comprometimento da indústria gaúcha com a preservação do meio ambiente através do desenvolvimento de tecnologias e produtos sustentáveis como vantagens competitivas, aumentar a capacitação de gestores para atuarem em mercados globais e estimular a capacidade empreendedora dos gaúchos, oferecendo-lhes conhecimento e acesso às melhores práticas e metodologias de gestão da inovação.

9. Estimular e capacitar as empresas para a proteção do  conhecimento e propriedade intelectual, através de programas de capacitação e cursos.

10. Ressaltar a Bioeconomia como oportunidade para o setor agroindustrial gaúcho, tendo em agentes como Embrapa, Fepagro, Universidades e Centros de Pesquisa, apoio para o desenvolvimento de projetos.

11. Destacar a importância da gestão da inovação como fator agregador de valor e estímulo para a competitividade empresarial. Tanto as grandes quanto as pequenas e médias empresas devem ter a gestão da inovação como um dos suportes de sua estratégia.  A intensidade e o volume de investimentos e alocação de recursos dependerão de diversos fatores mas,  formal ou informalmente, são imprescindíveis os processos de planejamento, desenvolvimento e implantação de mudanças e melhorias em produtos e processos produtivos e de gestão.

12. Incentivar a iniciativa privada através de sindicatos representativos da indústria, associações comerciais e industriais e associações representativas setoriais a apoiar a difusão da inovação como fator estratégico de competitividade.

 
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