Abeiva questiona declarações de Mantega

Na avaliação da entidade que representa setor de importação de veículos automotores
sem fábrica no País, ministro incorre em equívocos e peca por falta de informações.

 

 

 

Às declarações de Guido Mantega, ontem, na audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, em Brasília, sobre a elevação do IPI em 30 pontos percentuais aos veículos importados de que a iniciativa foi ³bem sucedida² e ³houve uma expressiva elevação dos anúncios de investimentos estrangeiros², o presidente da Abeiva ­ Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores, José Luiz Gandini, reafirmou que o Brasil, por meio do Ministério da Fazenda, feriu a leis de comércio internacionais, os direitos dos cidadãos brasileiros, a livre competição e que em nada contribui para o aumento da competitividade setorial.

³O Governo, erroneamente, não considerou ou mesmo entendeu o impacto da globalização dessa indústria, que tem se pautado no desenvolvimento de plataformas globais, adequação dos veículos dessas plataformas para cada mercado e região e complementação de portfólio de produto para segmentos específicos com veículos de regiões complementares², destaca Gandini.

Para o presidente da Abeiva, dos nove projetos de localização de produção, para veículos leves, apenas um é novo, tendo sido anunciado após o Decreto 7.567. ³Projetos da Chery, BMW, Suzuki, Hyundai, entre outros, foram anunciados antes do dia 15 de setembro último. Até mesmo o da JAC Motors, protocolado na última semana, tinha sido amplamente noticiado antes do Decreto², enfatiza Gandini.

Contra o argumento de Mantega de que ³os investimentos só ocorreram devido à ação do governo... Se não tomássemos essa medida, [investimentos] iriam para locais onde estão manipulando câmbio e taxas... Estamos preservando o emprego no País², Gandini lembra que as vendas globais de autoveículos já voltaram a patamares superiores à crise de 2009.

³A capacidade instalada global já ultrapassou o limite sustentável de 80% de utilização e a ideia de invasão do mercado por fabricantes de outros regiões é um delírio. Muito provavelmente, a presidente Dilma Rousseff não recebeu estudos mais completos do setor no Brasil, pois se considerarmos o total de
677 mil veículos importados de janeiro a outubro deste ano, 75,23% foram importados por associadas à Anfavea, e 24,36% por filiadas à Abeiva [outros 0,41% por importadores independentes]², explica Gandini.

Do total de 2.791.288 veículos emplacados de janeiro a outubro deste ano, os importadores sem fábrica do País responderam por apenas 5,91%, ou seja, de
165.114 unidades. ³Do total estimado de 800 mil veículos a serem importados este ano, deveremos responder 200 mil unidades, ou seja 25%. O restante, em sua grande maioria, vem da Argentina e do México, que tem zero de alíquota de importação², ressalta Gandini.

Quanto à capacidade brasileira de exportação, o presidente da Abeiva disse que ³o real motivo de o Brasil não conseguir exportar é o fato de que, ao contrário de outros pólos produtivos, como China e Coreia do Sul, não investiu nos últimos anos em inovação e aumento do conteúdo tecnológico dos veículos. Esses fatores, associados à baixa ação do governo na sua função de regular o mercado de matérias primas, reduziu drasticamente a competitividade dos produtos `nacionais´. Assim, mesmo que tivéssemos câmbio mais favorável à exportação, as chances seriam mínimas e restrita ao mercado de baixo volume da América do Sul², esclarece.

Finalmente, em relação ao déficit da balança comercial do setor automotivo, Gandini sustenta que ³o ministro Mantega aplicou um antídoto no paciente errado. O grande déficit do setor de transportes está na importação desenfreada de autopeças e de veículos da Argentina e do México, pois tecnicamente, eles aparecem na balança comercial como produtos importados".

"O setor de importação de veículos acabados cresceu sim, mas porque o mercado mudou, o consumidor ­ mais informado e com maior renda ­ mudou e passou a desejar produtos melhores, com substancial aumento de valor agregado tecnológico².


 
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