Italianos, onde vocês estão?
Entrevista com o Presidente da Ordem dos Jornalistas italianos revela:
italianos e descendentes no mundo, patrimônio desconhecido deve ser valorizado. Será que a Itália quer realmente reatar os laços rompidos?
Stefano Ghisio Erba (CIB Notizie) 03/04/2003
Lorenzo del Boca, em uma longa entrevista, tenta explicar porque a Itália tem tanto interesse pelos italianos do exterior "perdidos" pelo mundo. Durante décadas os emigrantes foram tratados como cidadãos de segunda categoria.
Enquanto no exterior, especialmente nos países da América Latina e outros de maior concentração de oriundos, emigrante é geralmente sinônimo de italiano; na Itália é o Maroquino, Albanês, Coreano... ora genericamente classificados de "extra-comunitários", entre os quais são também "empurrados" os italianos do exterior.
Excluíndo alguns poucos italianos que têm parentes que emigraram, a grande maioria não tem a menor idéia do que é um italiano do exterior e, sobretudo, o que ele representa. Freqüentemente as empresas italianas tiram proveito que, em benefício próprio, pode ser definido agressivo, sendo que somente em raras iniciativas valorizam o patrimônio nacional no exterior.
Nem o Estado conhece as reais proporções do fenômeno: sua estimativa é de uma população de 60 a 65 milhões de itálicos no mundo; quase 40 milhões na America Latina.
Durante quase 50 anos de luta, Mirko Tremaglia, agora Ministro dos italianos do exterior, e uns poucos seguidores, governo vai, governo vem, insistiram para que fosse reconhecido aos italianos residentes no exterior o exercício de voto no local de residência. Finalmente, neste último governo, as leis foram votadas. No final, os cidadãos receberam um formulário para que fosse respondido: "quer votar onde mora ou na Itália?"
Em dezembro de 2000, a Conferência dos Italianos no mundo reuniu em Roma mais de 1000 delegados vindos dos cantos mais remotos do globo: muita retórica diz, com razão, del Boca. Foi apenas o início daquela que será uma tarefa difícil: conhecer os italianos do exterior.
Através da iniciativa de MediaPress, iniciou-se um trabalho de grandes proporções: dois anuários que irão reunir, através de um cadastro, todos os profissionais itálicos da área da informação. No Brasil o trabalho é coordenado pela Associação CIB (www.associb.org.br). A Ordem dos Jornalistas italianos está fazendo sua parte, pondera seu Presidente. De fato, através uma iniciativa privada, mesmo que limitada a uma categoria específica, o processo de reconhecimento iniciou. Os profissionais da
informação italiana poderão conhecer os colegas no exterior e através deles se entende iniciar o diálogo de informação, destinado ao grande público.
Segundo del Boca, os ministérios italianos competentes estão seriamente comprometidos, tanto que, através de acôrdos específicos garantiram o uso dos dados recolhidos. Mais uma promessa? Depois dos muitos anos em que as Comunidades italianas no exterior tentaram dialogar com o Estado, finalmente terão um interlocutor a altura?
Aqui, no Brasil, com certeza esta possibilidade não existe. São públicas e compreensíveis, somente em parte, as dificuldades da rede diplomática e, sobretudo, consular. A América Latina é campeã em tudo: 38 milhões de itálicos e dezenas de consulados periclitantes.
Portanto, é difícil acreditar em um retorno em curto prazo, especialmente quando o cidadão não consegue exercer sua condição em tempos hábeis e quando a imprensa italiana local enfrenta sérios problemas de convivência.
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Il presidente dell´Ordine Nazionale dei Giornalisti d´Italia Lorenzo Del Boca. |